Institucional · Publicação: 25/06/2026
Amparo a grupos vulneráveis e o trabalho humanizado da Casa de Acolhida João Piltz
Terceira reportagem da série especial do Relatório Social 2025 sobre as Entidades-membro da Cáritas Brasileira Regional Santa Catarina — hoje o destaque é a Ação Social Arquidiocesana de Chapecó (ASDI).
Dando continuidade à série de reportagens especiais presente no Relatório Social 2025 sobre as Entidades-membro da Cáritas Brasileira Regional Santa Catarina, voltamos nossos olhares para o Oeste catarinense destacando o trabalho essencial da Ação Social Arquidiocesana de Chapecó (ASDI).
Presente de forma ativa no cotidiano do Oeste catarinense, a entidade tem sido um braço essencial na promoção da dignidade humana, atendendo povos indígenas, famílias migrantes e pessoas em vulnerabilidade. Um dos grandes marcos desse compromisso é a Casa de Acolhida João Piltz, que transforma o momento difícil do tratamento de saúde em um percurso de cuidado, carinho e esperança.
A Ação Social Arquidiocesana de Chapecó vive o dia a dia do Oeste catarinense, acompanhando de perto as famílias que chegam à região em busca de cuidado, trabalho ou tratamento de saúde. Ao longo de 2025, o trabalho circulou entre comunidades indígenas Kaingang e Guarani, famílias migrantes que tentam recomeçar a vida em Chapecó e mães com crianças pequenas acompanhadas pela Pastoral da Criança. Um dos grandes destaques é a Casa de Acolhida João Piltz, que recebe com simplicidade e carinho quem precisa permanecer na cidade para tratamentos oncológicos, internações ou partos prematuros. É ali que muitos encontram descanso, alimentação e apoio emocional em meio aos deslocamentos cansativos e às longas rotinas hospitalares. O trabalho também se estende a pessoas encarceradas, migrantes em processo de regularização e grupos que enfrentam vulnerabilidades históricas no território. Somando todas as frentes, a ASDI segue como referência de acolhida e presença solidária no coração do Oeste, fortalecendo vínculos e garantindo dignidade para quem mais precisa.
Casa de Acolhida João Piltz: um porto seguro de amor e dignidade no coração de Chapecó
Com foco no atendimento humanizado a pacientes em tratamento de saúde, a iniciativa da ASDI celebra o legado de solidariedade e o impacto positivo na vida de mais de 1.200 pessoas anualmente.
A história da Casa de Acolhida João Piltz, em Chapecó, é um testemunho de que a solidariedade não conhece fronteiras. O espaço físico que hoje abriga o projeto nasceu do desejo de um imigrante alemão que, após vivenciar os horrores do pós-guerra na Europa, dedicou sua vida ao planejamento urbano de Chapecó e, em seu testamento, confiou sua moradia à Igreja com um pedido específico: que o local fosse eternamente voltado ao amor ao próximo.
Há cinco anos, essa missão se materializou no formato de casa de acolhida. Para Rosane Zanini Kowacic, administradora da unidade, a essência do trabalho é transformar o sofrimento em esperança.
"A Casa de Acolhida nasceu do gesto de solidariedade, de amor de um homem que era estrangeiro no Brasil. Ele deixou em testamento para nós a casa e pediu que ela sempre fosse voltada para a caridade, para estender a mão para quem precisa."
Acolhimento humanizado: para além de uma hospedagem
Diferente de uma estrutura hoteleira convencional, a Casa João Piltz funciona como um lar temporário para quem enfrenta o desgaste de tratamentos médicos complexos, como radioterapia e quimioterapia. Com capacidade para 40 pessoas diariamente, a casa acolhe pacientes e acompanhantes de diversas cidades da região que não possuem condições de custear permanência em Chapecó.
O suporte oferecido é integral. Ao chegar, cada acolhido passa por um diagnóstico psicossocial com assistentes sociais e psicólogos. Durante a estadia, recebem refeições, acomodação segura e um ambiente que privilegia a saúde mental.
"Aqui eles recebem refeições, recebem um lar, um lugar agradável que não é um quarto de hotel. É um lar onde o acolhido tem espaço para caminhar, tomar seu chimarrão, jogar seu baralho e se desligar um pouco da doença."
Esse cuidado é sentido na ponta por quem utiliza o serviço. Irineu Valdir Matcholo, que está há quatro meses na casa finalizando seu tratamento, relata a importância do apoio recebido.
"Nas horas mais difíceis, sempre tem essas pessoas pra nos acolher, nos cuidar e dar forças pra nos recuperarmos do que estamos passando com essa doença que enfrentamos. É uma família acolhedora, com muito carisma do começo ao fim."
Sustentabilidade e o papel estratégico da Rede Cáritas
A manutenção de uma estrutura gratuita e de alta qualidade técnica exige uma gestão financeira eficiente e parcerias sólidas. Como entidade beneficente, a Casa João Piltz não comercializa produtos, sustentando-se exclusivamente por meio de doações, verbas públicas via projetos legislativos e o apoio fundamental da Rede Cáritas.
Rosane ressalta que o papel dos Bazares Solidários é vital para a agilidade institucional.
"A Cáritas nos dá essa possibilidade através dos bazares. O recurso que vem do bazar não amarra a gestão; é um recurso livre para fazermos o que é necessário, seja contratar um profissional sem burocracia avançada ou consertar uma parte elétrica. Tudo isso só é possível graças à solidariedade."
Além do custeio interno, a casa estende o auxílio às famílias dos pacientes em suas cidades de origem, fornecendo cestas básicas para garantir o sossego de quem é o provedor e está em tratamento.
O impacto da Casa de Acolhida João Piltz é mensurável e crescente. Em 2025, o projeto beneficiou pacientes oncológicos, mães de bebês prematuros e familiares de pacientes em UTIs. Para a rede, cada pessoa representa uma vida protegida e um direito garantido.
"A casa se sustenta com a união de esforços de todo mundo. Não é só um gesto de amor de quem trabalha aqui, mas de toda a comunidade."
Fonte: Relatório Social 2025 — Cáritas Brasileira Regional Santa Catarina. #acolhimento #reportagem #caritassc #relatoriosocial #casadeacolhida #oeste #chapecó